De uma forma ou de outra, China movimenta mercado americano em janeiro

Mercados Wall Street NYSE

Na segunda metade de janeiro, a virulenta disseminação do coronavírus, com suas origens na cidade industrial chinesa de Wuhan, derrubou os mercados acionários ao redor do mundo (Imagem: REUTERS/Lucas Jackson)

A 💥️China continua direcionando os mercados norte-americanos, com ou sem a ajuda de 💥️Donald Trump.

No primeiro mês de 2023, as ações americanas atingiram máximas recordes logo após os 💥️Estados Unidos e a China terem firmado a tão aguardada e quase interminável primeira fase do acordo comercial, no dia 15 de janeiro, reduzindo as tensões entre os dois países. Mas esse impulso teve vida curta.

Na segunda metade do mês, a virulenta disseminação do 💥️coronavírus, com suas origens na cidade industrial chinesa de Wuhan, vem derrubando os mercados acionários ao redor do mundo. Ainda não está claro quanto tempo levará para a contenção do vírus, que é responsável por infecções respiratórias capazes de levar à morte. Até agora, já foram computadas mais de 17.000 pessoas infectadas, em sua maior parte na China, com 361 mortes.

Isso pode fazer com que as ações encontrem dificuldade para definir uma direção no curto prazo. A sólida valorização de quase 3,3% até então registrada pelo 💥

Gráfico DJIA

sexta-feira, a 💥️American Airlines imediatamente suspendeu voos com origem e destino na China continental. A partir de quinta-feira, 6 de fevereiro, tanto a 💥️Delta Air Lines quanto a United Airlines também suspenderão todos os seus voos para a região. A Delta anunciou que a interrupção dos serviços duraria até 30 de abril, enquanto a United e a American disseram que retomarão os voos no dia 28 de março, embora cada uma delas tenha afirmado que continuará monitorando o desdobramento da situação. Suas ações caíram 6,4%, 4,7% e 15% respectivamente no mês.

Gráfico WYNN

Gráfico WYNN

Os papéis da operadora de cassinos Wynn Resorts, que possui um enorme investimento em Macau, despencaram 9,2% depois de terem subido quase 15% em dezembro.

Hotéis registraram um declínio nas reservas de quartos na China. Redes como a Hyatt Hotels e a InterContinental Hotels estão permitindo que os clientes cancelem as reservas sem penalidades.

A maior parte da queda de 10,6% da InterContinental em janeiro ocorreu durante a segunda metade do mês. A Hyatt se desvalorizou 5,8%.

A 💥️Disney decidiu fechar seus dois parques temáticos na região da Grande China: o Disneyland Hong Kong e o Shanghai Disney Resort. Os papéis da gigante do entretenimento se desvalorizaram 4,4% no mês.

Por outro lado, as ações da Lakeland Industries, que produz uniformes de segurança para ambientes industriais, saltaram quase 51% em uma semana, com os investidores especulando que haveria uma alta na demanda dos produtos da companhia. A Alpha Pro Tech, que fabrica máscaras faciais e outros equipamentos de proteção, viu suas ações saltarem 95%.

💥️Volatilidade provocada não só pela China

Mas as oscilações do mercado em janeiro não se deveram inteiramente ao coronavírus. Muitas ações americanas, principalmente as de tecnologia, atingiram níveis sobrecomprados no final de 2023 e as contínuas compras em janeiro. A epidemia forçou as pessoas a vender e sair do mercado ou realizar lucro rapidamente.

Em janeiro, tanto a 💥️Alphabet quanto a 💥️Amazon alcançaram a marca de US$ 1 trilhão em capitalização de mercado. A queda de sexta-feira, no entanto, fez com que o valuation de ambas as companhias ficasse um pouco abaixo desse patamar emblemático.

A 💥️Apple, cujos papéis subiram 86% em 2023, atingiu o pico de US$ 327,85 na quarta-feira, e depois caíram 5,6% nos dois dias seguintes.

O interessante é que a fabricante de veículos elétricos 💥️Tesla saiu ilesa de tudo isso, depois de superar as expectativas de resultado para o quarto trimestre, na semana passada. As ações da companhia encerraram o mês com uma impressionante valorização de 55,5%, superando a alta de 26% no quarto trimestre. Seus papéis agora estão sendo vendidos a 48 vezes o lucro projetado para 2023.

Outra empresa vencedora em janeiro, por razões completamente alheias a eventos geopolíticos, foi a 💥️Beyond Meat, fabricante de hambúrgueres vegetais com sabor de carne.

TTM Semanal BYND

TTM Semanal BYND

Suas ações, que haviam caído forte depois de atingir a máxima de 52 semanas a US$ 239,71 em meados de 2023, tiveram um salto de 48%. Duas razões explicam o movimento: a rede de restaurantes Denny’s ampliou seus testes dos produtos da BYND, que estavam restritos à região de Los Angeles, para 1.700 estabelecimentos, e o McDonald’s também começará a testar os hambúrgueres da empresa em seus restaurantes no Canadá. Dito isso, a ação vem recebendo recomendações de venda de analistas que acreditam que ela esteja cara.

As construtoras estiveram entre as empresas com melhor desempenho de mercado em janeiro, graças às boas expectativas para a economia americana (sem efeito direto do coronavírus). A forte demanda principalmente de clientes de alta renda e taxas de juros extremamente baixas devem impulsionar os movimentos. Lennar, PulteGroup e DR Horton ficaram entre as seis ações com melhor desempenho no S&P 500 em janeiro, subindo 21,5%, 20,7% e 16,4%, respectivamente.

💥️Fraqueza setorial aumenta na falta de outros vetores para o rali

A fraqueza de vários setores também aumentou consideravelmente durante o mês.

O maior baque até agora ocorreu em energia. O 

Varejistas tradicionais 

Boa parte do rali do mercado acionário em 2023 foi uma recuperação da forte queda registrada no quarto trimestre de 2018 (Imagem: Pixabay)

A perspectiva daqui para frente requer uma visão mais ampla. Boa parte do rali do mercado acionário em 2023 foi uma recuperação da forte queda registrada no quarto trimestre de 2018. Esse catalisador já não existe mais.

Além disso, a China ainda está tentando conter o coronavírus. Se a doença não for controlada logo, os investidores podem aumentar a corrida em busca de segurança, como o 💥ouro ou os títulos do tesouro americano, Também é importante ressaltar a vulnerabilidade do mercado a uma queda provocada estritamente pelos preços elevados, principalmente entre as grandes e caras ações de tecnologia, que capturam a maior parte da atenção dos investidores.

Mas, apesar de tudo, o cenário econômico continua favorável. A Europa parece estar pelo menos estável, embora possa haver tensões à medida que o continente e o Reino Unido pós-Brexit aprendem a lidar um com o outro.

A economia norte-americana está crescendo, ainda que modestamente, com o 

Isso é bom para o financiamento de produtos caros, como carros, caminhões e imóveis. E, evidentemente, Trump não quer nem pensar em uma recessão.

Por Charley Blaine, da ysoke.com.

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