Google, Apple: Brasil prepara regras contra monopólio de big techs
Imagem: Reprodução O Ministério da Fazenda propôs nesta quinta-feira (10) uma série de regras, entre mudanças legislativas e alterações na operação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), para conter práticas que afetam a competição promovidas pelas grandes empresas de tecnologia, as chamadas "big techs". A administração pública brasileira dá esse passo em um momento em que a conduta monopolista de Google, Apple, Facebook (Meta), Amazon e Microsoft vem sendo coibida nos Estados Unidos, onde o Google é ameaçado de ser dividido, e na Europa, onde as grandes plataformas precisam obedecer a rígidas regras. Durante a apresentação do plano, integrantes do governo brasileiro admitiram que o Brasil não dispõe de mecanismos legais para coibir ações dessas plataformas que possam afetar a concorrência. Ronilso Pacheco Dar mídia a Malafaia é um desserviço à democracia Josias de Souza São Pedro dá as cartas em São Paulo Elio Gaspari O preço da privataria na saúde no caso de HIV Carolina Brígido Protegida de Lira cresce na briga por vaga no STJ ✅O direito à concorrência brasileiro não é suficiente para lidar com isso. Nos últimos anos, as grandes empresas de tecnologia foram alvo de processos que resultaram em multas bilionárias por darem preferência a seus produtos, cobrarem taxas abusivas em seus ecossistemas, firmarem acordo de exclusividade e aproveitarem suas posições monopolistas para impor preços abusivos. Para construir a proposta de reforma, a Fazenda recebeu mais de 300 contribuições, incluindo as vindas de diversas associações que representam as "big techs" e do próprio Cade, que admitiu não dispor de armas suficientes para coibir possíveis abusos. A recomendação da pasta do ministro Fernando Haddad é permitir que o Cade analise casos de forma mais ágil, além de ter poder e capacidade técnica para monitor agressões à concorrência antes que provoquem danos ao mercado. Para isso, o plano é criar nova legislação que dê poderes ao Cade para: Segundo o secretário de reformas econômicas, as novas regras atingirão apenas empresas gigantes. ✅A gente está falando aqui de, no máximo, uma dezena de plataformas mundiais. De acordo com Pinto, a expectativa é que o processo chegue ao Congresso em 2024. Ainda está em discussão se o Executivo enviará um projeto de lei ou se as mudanças serão incluídas em alguma proposta já em tramitação no Legislativo. Em paralelo a isso, outros dois ajustes devem ser feitos por meio de medidas infralegais, que dependem de portarias do Cade e de decretos do Ministério da Fazenda. Segundo Alexandre Ferreira, diretor de Programas da Secretaria de Reformas Econômicas, as "big techs" entraram no radar por possuírem características que inviabilizam a aplicação de medidas à disposição do Cade hoje: Newsletter Um boletim com as novidades e lançamentos da semana e um papo sobre novas tecnologias. Toda sexta. Esses aspectos fazem com que poucas empresas dominem áreas específicas e possam influir em outros segmentos. ✅Quanto maior a relevância, centralidade e importância sistêmica, menor a probabilidade de o antitruste resolver e maior a necessidade de uma regulação específica. Segundo Marcos Pinto, a proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda é um ponto intermediário entre a abordagem dos Estados Unidos, que analisa apenas depois do fato, e da União Europeia, que estabelece regras rígidas de antemão. Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
💥️Marcos Pinto, secretário de reformas econômicas do Ministério da Fazenda
💥️Marcos Pinto
💥️Alexandre Ferreira, diretor de Programas da Secretaria de Reformas EconômicasReportagem
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