Anac fará operação assistida e ampliará vigilância de serviços da Voepass

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) afirmou nesta sexta-feira (16) que vai intensificar a vigilância e monitoramento dos serviços prestados pela Voepass, antiga Passaredo.

A decisão foi comunicada durante reunião entre diretores da agência e representantes da empresa uma semana após o acidente em Vinhedo (SP), que causou a morte de 62 pessoas.

"No atual contexto pós acidente aéreo, e considerando aspectos de fatores humanos, a Agência entende ser importante a intensificação da vigilância continuada e do monitoramento do serviço prestado pela empresa, estabelecendo parâmetros para evitar anormalidades na operação", diz a nota da Anac.

A agência informou ainda iniciar uma operação assistida com a companhia aérea para "manter a prestação do serviço da Voepass em condições adequadas". Na prática, a empresa será obrigada a enviar, em tempo real, todos os dados da operação de suas 14 aeronaves para a Anac.

"O gerenciamento da segurança na aviação civil é uma atividade contínua [...]. Os operadores aéreos, entre eles a Voepass, têm que enviar constantemente dados de desempenho de sua frota à Anac, o que inclui eventuais interrupções mecânicas, indisponibilidades de aeronave ou dificuldades em serviço", afirma.

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A nota divulgada pela Anac ainda aconselha os passageiros que têm voos cancelados com a Voepass a entrarem em contato com a companhia aérea. "A empresa aérea deve oferecer assistência material gratuitamente, de acordo com o tempo de espera no aeroporto, contado a partir do momento em que houve o atraso, o cancelamento ou a interrupção", diz.

A Voepass afirmou, em comunicado, que a reunião com a agência reforçou a "importância do gerenciamento operacional e a garantia da normalidade das operações da companhia".

Desde o dia do acidente, na última sexta-feira (9), a Anac recolhe toda a documentação do avião modelo ATR 72-500 da Voepass para envio de informações ao Ministério Público e ao Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ligado à Força Aérea.

Do ponto de vista da agência reguladora, não havia nenhum problema com a empresa aérea, o avião e a tripulação que estava no voo.

Os documentos, aos quais a Folha teve acesso, mostram que a última vistoria da Anac no avião de marca PS-VPB foi realizada nos dias 19 a 25 de junho de 2023.

O laudo da vistoria foi utilizado para a emissão do Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade ainda naquele mês —documento que, aprovado pela Anac, dava autorização para o uso comercial até junho de 2026.

O documento apresenta diversos dados sobre as horas de voo da aeronave, a condição dos motores e das hélices e o prazo de validade dos equipamentos utilizados no avião.

Ele mostra, por exemplo, que o avião foi adquirido em 2022 pela Voepass e passou por serviços de manutenção que exigiram a troca de um dos motores. O laudo conclui que a aeronave não havia passado por grandes modificações ou reparos e tinha condições adequadas de aeronavegabilidade.

Em nota divulgada na quinta-feira (15), a Voepass afirmou que a manutenção de aeronaves faz parte da rotina das companhia aéreas e que nenhum avião da empresa decola sem "estar em estrita conformidade com o que estipula a regulamentação".

"Somente as investigações oficiais poderão apontar as causas do acidente. Especulações sobre reparos técnicos realizados no passado servem apenas para aumentar o sofrimento e a imensa dor das famílias dos 58 passageiros e 4 tripulantes envolvidos neste trágico acidente", diz a empresa.

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