Como o Arizona virou o celeiro dos negacionistas eleitorais
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Membros da plateia aplaudem a candidata republicana Kari Lake durante um discurso no Arizona, nos Estados Unidos, em 7 de novembro de 2022 — Foto: REUTERS/Brian Snyder
Neste primeiro teste eleitoral desde a vitória do presidente Joe Biden, o Arizona, no sudoeste do país, destaca-se por acolher os negacionistas eleitorais: 12 dos 13 candidatos republicanos que concorrem a cargos federais e estaduais questionaram o resultado das urnas e compram a versão de Donald Trump de que a eleição foi fraudada, conforme revelou uma análise do “The Washington Post”.
A crítica mais contundente é a candidata ao governo: ex-âncora de uma emissora afiliada da Fox no estado, Kari Lake é rápida ao destilar mentiras e teorias da conspiração mirabolantes. Ela está ligeiramente à frente de Katie Hobbs, a corajosa secretária de Estado e principal autoridade eleitoral, que em 2023 resistiu às pressões e declarou a vitória de Biden, por uma diferença de 10.457 votos.
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A candidata republicana para o governo do Arizona, Kari Lake, durante a campanha das eleições de meio de mandato, em Phoenix, nos EUA, em 7 de novembro de 2022 — Foto: REUTERS/Brian Snyder
O condado de Maricopa, onde a apuração demorou dias para ser concluída e enfrentou intermináveis e desgastantes revisões, virou o ponto de origem dos teóricos da conspiração sobre um plano democrata para roubar a eleição. Entre eles estava a vigorosa Lake, que ancorava a cobertura e resistiu o quanto pôde, a declarar Biden vitorioso.
Ela desistiu da carreira na TV e entrou para a política, sempre ancorada na tese da “Grande Mentira”, que era alardeada por Trump e seus seguidores. Tornou-se expoente do movimento conhecido como MAGA (Faça a América Grande Novamente), capitaneado pelo ex-presidente.
Carismática, Lake gosta de ser chamada de Trump de saias. Aos 53 anos, professa um de seus mandamentos básicos: só aceitará o resultado eleitoral se sair vencedora, conforme revelou à jornalista Dana Bash, da CNN. Sim, ela foi taxativa sobre declarar a vitória de qualquer forma:
Na semana passada, Lake recebeu num comício Steve Bannon, o ex-estrategista de Trump e ideólogo de teorias conspiratórias, que foi condenado por desacato ao Congresso, e apresentou-o como “um George Washington moderno”.
Katie Hobbs, a adversária democrata, recusou-se a debater com Kari Lake para não dar palco às mentiras. “Ela centrou toda a sua plataforma em torno desse negacionismo eleitoral, só está interessada em criar esse tipo de espetáculo”, alegou Hobbs, chamada de covarde por Trump.
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Katie Hobbs, secretária de Estado do Arizona e candidata democrata ao governo, participa de um comício de campanha no dia 4 de novembro de 2022, antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos — Foto: REUTERS/Jim Urquhart
Com 7 milhões de habitantes, o Arizona é um dos estados decisivos nas eleições desta terça-feira. Além do Congresso, tem disputas para governador, secretário de Estado e procurador-geral. É um dos cenários mais tensos do pleito, com militantes extremistas armados, fazendo vigílias nos locais de votação.
Preocupado, o ex-presidente Barack Obama escolheu o estado para fazer campanha na semana passada e alertou sobre a morte da democracia caso os negacionistas eleitorais vencerem:
Um dos principais colaboradores de Trump no estado, o deputado estadual Mark Finchem duvidou da lisura das eleições de 2023 e defendeu a anulação de votos em alguns condados por irregularidades nunca comprovadas. Ele agora concorre para ser secretário de Estado e, se vencer, será a principal autoridade eleitoral em 2024. Com Lake e Finchem no comando, o resultado teria sido diferente nas eleições passadas.
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